venha
deixe eu te mostrar a minha rua
a minha escada
a minha sacada do bloco A.
deixa eu te mostrar por onde eu passo todo dia pra ir trabalhar
deixa eu te mostrar os carros que eu xingo
as placas que eu leio
os pixos que eu faço... {pra você}
deixa eu te mostrar o que tem embaixo do meu tapete
atrás do meu armário
dentro da minha caixa torácica
deixa eu te mostrar o caminho que o 051 faz e
reclamar da falta do Circular Cidade
mesmo anos depois dele deixar de existir
descubra os buracos da cinelândia
e a sombra que os prédios fazem na praia
la pelas cinco da tarde
deixe eu te mostrar em quais esquinas eu já caí
em quais pontes eu ja subi
e em quais terapeutas eu já passei.
venha
venha que eu quero saber
por onde você anda
por onde você corre
por onde você resiste.
me conte qual o seu ônibus favorito
onde é o final de linha dele
se as janelas abrem ou se
fica abafado quando chove aí.
é quente?
você usa segunda pele?
suas botas escorregam nos pisos das lojas?
você gosta de estampas?
e da primavera, você gosta?
você tem alergia ao que mesmo?
me mostre seu armário de remédios
a ordem das suas gavetas
seus piores desenhos
seus menores sonhos
me mostre o número da sua cadeira
a marca do seu avião
a conexão que ele faz...
eu quero voar com você.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Registro aqui, nesse fundo de folha pixado por você, dedicado a mim ou àlguma parte que me caiba.
Registro o fato
incrível
curioso
e
anormal
da animação da moça que vos fala
com o moço
para qual escrevo,
no caso
você.
Pela primeira vez podemos perceber a anomalia da mulher
bissexual
não-praticante,
pois nenhum sentimento
levemente
não-superficial
pelo sexo oposto
foi notado
desde o seu nascimento
até o mês julho de 2018
cujo qual
é o mesmo mês que
a remetente
conheceu
o destinatário.
Visto que
as duas partes residem
em territórios estaduais diferentes,
a comunicação
visual
e
sensorial
fica limitada
impedindo o entendimento das
entrelinhas,
restando apenas a comunicação
textual direta.
Esse tipo de comunicação
direta
dura
rápida
e
limitada,
na verdade,
oferece um total de
357 pensamentos negativos,
confundindo, assim,
a remetente.
Com sentimentos confusos,
There
Registro o fato
incrível
curioso
e
anormal
da animação da moça que vos fala
com o moço
para qual escrevo,
no caso
você.
Pela primeira vez podemos perceber a anomalia da mulher
bissexual
não-praticante,
pois nenhum sentimento
levemente
não-superficial
pelo sexo oposto
foi notado
desde o seu nascimento
até o mês julho de 2018
cujo qual
é o mesmo mês que
a remetente
conheceu
o destinatário.
Visto que
as duas partes residem
em territórios estaduais diferentes,
a comunicação
visual
e
sensorial
fica limitada
impedindo o entendimento das
entrelinhas,
restando apenas a comunicação
textual direta.
Esse tipo de comunicação
direta
dura
rápida
e
limitada,
na verdade,
oferece um total de
357 pensamentos negativos,
confundindo, assim,
a remetente.
Com sentimentos confusos,
There
terça-feira, 22 de maio de 2018
Tim Bernardes - Não {pra ouvir no escurinho}
terça feira
maio de dois mil de dezoito
frita
eu quis te contar sobre as coisas estranhas que vem acontecendo comigo nos utimos tempos sobre como eu tenho conseguido me ouvir e saber se devo ir ou ficar, falar ou calar. sobre como as portas aqui de casa batem exatamente do mesmo jeito ha anos e há anos eu sinto medo, principalmente a noite, sozinha. sozinha. eu quis te contar de como minha mãe vem toda semana sem avisar aqui em casa e não ter que explicar mais nada alem disso porque você já sabe. eu quis te contar sobre os sonhos com ratos que tive semana passada e como foi simbólico o jeito que eles corriam. eu quis te contar de como eu to com saudade da minha bike ou como eu queria ter ido a praia hj. lembrei também que na semana retrasada eu quis te ligar pra contar varias outras coisas que eu já nem lembro quais eram. é que nem procurar aquilo que eu já nem sei mais onde eu botei e nem ter certeza se está la mesmo. é estranho. é estranho tentar escrever sobre a avalanche que me cobre. não cabe em mim e parece que o mundo é pequeno demais ou grande demais ou complicado de menos pra entender. achei que com o sol em gêmeos eu iria despertar acordar pra vida mas na verdade eu to adormecendo, caindo, fraca, sabe? se escorando nas paredes, andando curvada. estranha. dia desses adele me mostrou a musica mais triste do mundo, vou botar agora de fundo.
{...}
ouviu?
hoje eu morri por dentro
°°°
é muito dificil não dividir a vida.
terça feira
maio de dois mil de dezoito
frita
eu quis te contar sobre as coisas estranhas que vem acontecendo comigo nos utimos tempos sobre como eu tenho conseguido me ouvir e saber se devo ir ou ficar, falar ou calar. sobre como as portas aqui de casa batem exatamente do mesmo jeito ha anos e há anos eu sinto medo, principalmente a noite, sozinha. sozinha. eu quis te contar de como minha mãe vem toda semana sem avisar aqui em casa e não ter que explicar mais nada alem disso porque você já sabe. eu quis te contar sobre os sonhos com ratos que tive semana passada e como foi simbólico o jeito que eles corriam. eu quis te contar de como eu to com saudade da minha bike ou como eu queria ter ido a praia hj. lembrei também que na semana retrasada eu quis te ligar pra contar varias outras coisas que eu já nem lembro quais eram. é que nem procurar aquilo que eu já nem sei mais onde eu botei e nem ter certeza se está la mesmo. é estranho. é estranho tentar escrever sobre a avalanche que me cobre. não cabe em mim e parece que o mundo é pequeno demais ou grande demais ou complicado de menos pra entender. achei que com o sol em gêmeos eu iria despertar acordar pra vida mas na verdade eu to adormecendo, caindo, fraca, sabe? se escorando nas paredes, andando curvada. estranha. dia desses adele me mostrou a musica mais triste do mundo, vou botar agora de fundo.
{...}
ouviu?
hoje eu morri por dentro
°°°
é muito dificil não dividir a vida.
domingo, 13 de maio de 2018
ansiosa pra encontrar qualquer pessoa, qualquer uma
em qualquer lugar
em qualquer hora
(será que é ela ali?).
enjoada
de coração partido
e acelerado
tremedeiras
falta de ar
s u f o c a m e n t o
24 horas por dia
6 dias por semana
(amanhã fecham 7)
meu estômago
queima
pelo fluxo de pensamentos
os aparelhos eletrônicos
entraram em greve
ao ver a crise
procurei novos horários
novos bares
novos ares
novas rotas
procurei esportes
bato records
no strava
de percursos
que não me levam a ela
tentei trapacear
mas o google maps
não me deu chance:
"você saiu da sua rota"
.
.
.
em qualquer lugar
em qualquer hora
(será que é ela ali?).
enjoada
de coração partido
e acelerado
tremedeiras
falta de ar
s u f o c a m e n t o
24 horas por dia
6 dias por semana
(amanhã fecham 7)
meu estômago
queima
pelo fluxo de pensamentos
os aparelhos eletrônicos
entraram em greve
ao ver a crise
procurei novos horários
novos bares
novos ares
novas rotas
procurei esportes
bato records
no strava
de percursos
que não me levam a ela
tentei trapacear
mas o google maps
não me deu chance:
"você saiu da sua rota"
.
.
.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Escrevo poesias que nunca acabei,
sempre pensando em você
naquela garagem,
sempre com folhas secas
da amoreira do seu quintal.
Escrevo poesias que nunca acabei,
sempre com seu cheiro
fixado nas minhas narinas.
Escrevo poesias que nunca acabei,
vendo você acordar
e ajeitar seus cachos
no espelho de tevê
do seu quarto pequeno.
Escrevo poesias que nunca acabei
do dia que você me mostrou Belchior
e achei a voz parecida
com aquele cara
do Mamonas Assassinas.
Escrevo poesias que nunca acabei
sobre as viagens energéticas
que tivemos na sua cama pequena
(que cabe exatamente o tamanho dos ossos corpos juntos)
e todas as vezes
que me trouxe de volta.
Escrevo poesias que nunca acabei,
e não me cabem mais.
Como de costume,
deixo essa pela metade.
Te conto o final
quando te encontrar
(hoje
ou
jajá).
Assinar:
Postagens (Atom)