terça-feira, 22 de maio de 2018

tenho pedaços de poesia guardados em todos os papeis dessa casa
Tim Bernardes - Não  {pra ouvir no escurinho}


terça feira
maio de dois mil de dezoito
frita

eu quis te contar sobre as coisas estranhas que vem acontecendo comigo nos utimos tempos sobre como eu tenho conseguido me ouvir e saber se devo ir ou ficar, falar ou calar. sobre como as portas aqui de casa batem exatamente do mesmo jeito ha anos e há anos eu sinto medo, principalmente a noite, sozinha. sozinha. eu quis te contar de como minha mãe vem toda semana sem avisar aqui em casa e não ter que explicar mais nada alem disso porque vc ja sabe. eu quis te contar sobre os sonhos com ratos que tive semana passada e como foi simbolico o jeito que eles corriam. eu quis te contar de como eu to com saudade da minha bike ou como eu queria ter ido a praia hj. lembrei tambem que na semana retrasada eu quis te ligar pra contar varias outras coisas que eu já nem lembro quais eram. é que nem procurar aquilo que eu já nem sei mais onde eu botei e nem ter certeza se está la mesmo. é estranho. é estranho tentar escrever sobre a avalanche que me cobre. não cabe em mim e parece que o mundo é pequeno demais ou grande demais ou complicado de menos pra entender. achei que com o sol em gemeos eu iria despertar acordar pra vida mas na verdade eu to adormecendo, caindo, fraca, sabe? se escorando nas paredes, andando curvada. estranha. dia desses adele me mostrou a musica mais triste do mundo vou botar agora de fundo.

{...}

ouviu?


hoje eu morri por dentro

°°°

é muito dificil não dividir a vida.

domingo, 13 de maio de 2018

ansiosa pra encontrar qualquer pessoa, qualquer uma

em qualquer lugar
em qualquer hora
(será que é ela ali?).

enjoada
de coração partido
e acelerado
tremedeiras
falta de ar
s u f o c a m e n t o

24 horas por dia
6 dias por semana
(amanhã fecham 7)

meu estômago
queima
pelo fluxo de pensamentos

os aparelhos eletrônicos
entraram em greve
ao ver a crise

procurei novos horários
novos bares
novos ares
novas rotas

procurei esportes

bato records
no strava
de percursos
que não me levam a ela

tentei trapacear
mas o google maps
não me deu chance:
"você saiu da sua rota"
.
.
.




quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Escrevo poesias que nunca acabei, 
sempre pensando em você
naquela garagem,
sempre com folhas secas 
da amoreira do seu quintal. 
Escrevo poesias que nunca acabei,
sempre com seu cheiro
fixado nas minhas narinas. 
Escrevo poesias que nunca acabei, 
vendo você acordar 
e ajeitar seus cachos 
no espelho de tevê 
do seu quarto pequeno. 
Escrevo poesias que nunca acabei 
do dia que você me mostrou Belchior
e achei a voz parecida 
com aquele cara 
do Mamonas Assassinas. 
Escrevo poesias que nunca acabei 
sobre as viagens energéticas 
que tivemos na sua cama pequena
(que cabe exatamente o tamanho dos ossos corpos juntos) 
e todas as vezes 
que me trouxe de volta. 
Escrevo poesias que nunca acabei,
e não me cabem mais. 
Como de costume,
deixo essa pela metade. 
Te conto o final 
quando te encontrar 
(hoje
ou
jajá).

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ferida aberta

Dói, dói, dói...
Que bate, dói, dói...

Dói da ponta
dupla
que meu cabelo faz
até a unha
dura
do meu mindinho
do pé
que ta guardado
pra quando
a minha caixa
torácica
acordar doendo,
ou pra quando
as unhas das mãos
acabarem.

Dói a quantidade
de roupa dos outros
que só passaram.
Dói a quantidade
de roupa minha
que foi
e não voltou.
Dói do tamanho
da chama de fogo
que sai
da minha boca
quando grito
na sua cara
que
ja não tenho mais
medo de você
EU NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ
VOCÊ NÃO ME ASSUSTA MAIS.

Dói a altura
da minha janela
pro chão,
com todos os arranhões
que consegui
pulando
pra fugir
do cárcere
disfarçado
de amor
e cuidado.
Doeu mais
que todas as vezes
que ele
me machucou.

Doeu e ainda dói.
Ainda vai doer.
Não sei até quando,
espero que logo.

Vinte anos sozinha é muito tempo.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

tava frio
tava muito frio
e, veja bem,
aqui não faz frio.
aqui faz muito calor
tipo, mormaço.
aí bateu 19°
naquele negoço
lá da 13 de julho.
termômetro.
dizia que era
o dia mais frio
dá história
daquela cidadezinha.
eu congelei.
nem roupa pra isso
eu tenho.
só ando de short,
regata,
com calor,
desejando uma brisa
fim de tarde
cinelândia.
aí peguei meu ônibus
atravessei a cidade
dentro de um caixote
com rodas,
superlotado,
tipo sardinha.
cheguei em outros
caixotes
de concreto
fixos,
iguais,
cinzas,
rígidos.
o céu
tava tão
mais ou menos
que ficava em cima
de todos os muros.
aí eu vi um ponto azul.
e mais um.
e mais vários.
e aí eu te vi
em todos os lugares,
de todas as formas,
desenhada,
escrita,
viva,
alí,
presente,
correndo,
correndo muito!
percorrendo
cada pedaço
de parede,
chão,
teto.
tirei o casaco,
já não fazia
tanto frio assim.
vi que tava
de blusa nova.
azul,
com um arco-iris
no peito esquerdo
escrito assim:
o verão deveria durar para sempre.
ou alguma coisa parecida.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Metralhadora

Eu digo que
foram uns
quarenta minutos
só deixando
a máquina
funcionar
sem nem perceber.
trararararararararara.
Falando.

Chega o momento
que nem
uma cabeça geminiana
aguenta mais.

A garagem
me recebe
com aconchego
e um cigarro na boca.
Ou quatro.
Trago desesperadamente,
um atrás do outro,
com esperança
de que além de
baixar minha pressão,
tire uma memória
que não aconteceu.

Tomei um banho
pra passar o calor
que veio junto
da saudade carnavalesca,
só me deixou com mais frio
e sem você
ou uma coberta
pra me esquentar.
O eterno dilema
de se cobrir
mas deixar um pé
do lado de fora
com medo do calor.

Tentei também me distrair
vendo as fotos de carnaval
mas foi justamente isso
que me trouxe
pro lado de fora
da sua casa,
como poderia?

Escrevo.

Escrevo
porque cansei
de me ver engasgada
e vomitando
tudo fora de ordem,
nas piores situações,
explodindo sem ver
quem vai receber
uma pedrada na cabeça