sexta-feira, 7 de julho de 2017

tava frio
tava muito frio
e, veja bem,
aqui não faz frio.
aqui faz muito calor
tipo, mormaço.
aí bateu 19°
naquele negoço
lá da 13 de julho.
termômetro.
dizia que era
o dia mais frio
dá história
daquela cidadezinha.
eu congelei.
nem roupa pra isso
eu tenho.
só ando de short,
regata,
com calor,
desejando uma brisa
fim de tarde
cinelândia.
aí peguei meu ônibus
atravessei a cidade
dentro de um caixote
com rodas,
superlotado,
tipo sardinha.
cheguei em outros
caixotes
de concreto
fixos,
iguais,
cinzas,
rígidos.

o céu
tava tão
mais ou menos,
(nem fazia sol
ou chuva)
que ficava em cima
de todos os muros.

aí eu vi um ponto azul.
e mais um.
e mais vários.
e aí eu te vi
em todos os lugares,
de todas as formas,
desenhada,
escrita,
viva,
alí,
presente,
correndo,
correndo muito!
percorrendo
cada pedaço
de parede,
chão,
teto.

tirei o casaco,
já não fazia
tanto frio assim.
vi que tava
de blusa nova.
azul,
com um arco-iris
no peito esquerdo
escrito assim:
o verão deveria durar para sempre.
ou alguma coisa parecida.

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